quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Piva vê elementos do governo na contra Petrobras (Tribuna da Imprensa há 40 anos)

16 de junho de 1968

BRASÍLIA (Sucursal) - O deputado Mário Piva (MDB-BA) denunciou, ontem, na Câmara Federal, "figuras de relevo no governo atual e no anterior envolvidas na trama para liquidar a Petrobrás". Acusou também membros das administrações regionais da empresa, inclusive superintendentes que insuflam greves e "operações tartarugas com o objetivo de desacreditar o monopólio estatal". Lamentou o deputado que, após tantas lutas, no curso das quais "o idealismo, força de vontade, o patriotismo e dedicação dos operários foram o inestimável sustentáculo para a consolidação do princípio do monopólio estatal de petróleo, através do fortalecimento da Petrobrás, pretendam, agora, destruir o patrimônio material do País".

Dizendo da "necessidade de união das forças para evitar a decadência da maior empresa da América Latina", perguntou o deputado Mário Piva: "Onde está o princípio de Segurança Nacional, invocado para coibir manifestações estudantis, evitar movimento político e, até, embora inconstitucionalmente, fixar aluguéis? Qual o conceito de Segurança Nacional que permite às autoridades brasileiras assistirem, quando não comprometerem-se por omissão, ao descrédito do monopólio estatal do petróleo".

Governo já processa quem divulgou aumento do dólar

O SNI informou às autoridades econômico-financeiras que o radialista Vicente Leporaça divulgou no programa "Trabuco", da Rádio Bandeirantes, uma suposta decretação de aumento da taxa do dólar. Em conseqüência, o jornalista foi enquadrado no Artigo 14 da Lei de Segurança Nacional. Ao mesmo tempo, um grupo de empresários ligados à indústria e dirigentes da Associação Comercial alertaram os empresários nacionais para a necessidade de uma mobilização contra a máquina montada por grupos estrangeiros para desvalorizar o cruzeiro e desacreditar as autoridaes governamentais.

Censura fiscaliza TV para evitar ataques ao governo

Em reunião realizada na tarde de ontem com os representantes de todas as estações de rádio e TV da Guanabara, o presidente do Contel, sr. João Aristides Wiltgen, comunicou que a partir da próxima semana as entrevistas, reportagens e programas humorísticos de televisão serão submetidos à censura, antes de sua apresentação.

Esta medida já entrou em vigor em São Paulo, onde o chefe do gabinete do ministro das Comunicações esteve reunido com os detentores de canais, e objetiva evitar, principalmente, que o governo seja censurado nas entrevistas, ou as Forças Armadas nas reportagens e, ainda, as piadas de duplo sentido nos programas humorísticos.

Segundo o chefe de gabinete do Ministério das Comunicações, os próprios diretores da TV paulista solicitaram ao Contel uma orientação a respeito dos quadros de humor, "pois se consideram incapazes de impedir que determinados atores introduzam `cacos' nos textos".

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